O que fazer em Ponferrada

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Poucas cidades da Espanha têm um castelo dos Templários como cartão de visita. Ponferrada tem: a fortaleza medieval da Ordem do Templo domina o alto da cidade, sobre a confluência dos rios Sil e Boeza, com suas torres ameadas e o escudo templário ainda visível na entrada. Capital da comarca de El Bierzo, na província de León, Ponferrada cresceu como parada de peregrinos no Caminho de Santiago e até hoje vive desse cruzamento de história, montanha e vinho. O próprio nome vem do Pons Ferrata, a “ponte reforçada com ferro” mandada erguer sobre o Sil no século XI para os romeiros a caminho de Compostela.

Onde fica Ponferrada e por que ela importa

Ponferrada fica no noroeste da Espanha, na comunidade autônoma de Castela e Leão — e não na Galiza, embora esteja colada à fronteira galega e tenha uma paisagem verde que lembra a vizinha do oeste. É o centro de El Bierzo, uma bacia cercada de montanhas (os Montes Aquilanos ao sul, a Serra dos Ancares a noroeste) com microclima mais ameno que o resto do planalto leonês, ideal para o vinho e a fruta. A cidade é a última grande parada do Caminho Francês antes de O Cebreiro e da entrada na Galiza: na temporada, suas ruas se enchem de peregrinos de mochila e bordão rumo a Santiago, e mesmo quem não está fazendo o Caminho sente esse clima de passagem, de gente em movimento há séculos pelo mesmo trajeto.

O que fazer em Ponferrada

O ponto de partida é, sem discussão, o Castelo dos Templários (Castillo de los Templarios). Erguido pela Ordem do Templo a partir de uma fortificação de 1178 para proteger os peregrinos, é um dos castelos templários mais imponentes da Espanha. Vale percorrer a muralha, subir às torres com vista para o rio e visitar o complexo, que abriga o curioso Museu do Templário e a Biblioteca Templária, com fac-símiles de manuscritos medievais. Declarado Monumento Histórico-Artístico Nacional em 1924, o castelo é a imagem que resume a cidade.

Logo abaixo, o centro histórico (o Bierzo medieval, ou casco antiguo) se concentra em ruas estreitas de pedra. Não deixe de ver:

  • Basílica de la Encina — templo renascentista que guarda a Virgem da Encina, padroeira de El Bierzo, com uma torre barroca que se vê de boa parte do centro.
  • Torre del Reloj — a torre do relógio, antiga porta da muralha medieval, num dos cantos mais fotografados da cidade velha.
  • Plaza del Ayuntamiento — a praça da prefeitura, com fachada barroca e ares de coração cívico, ótima para uma pausa.
  • Museu da Rádio e Museu do Bierzo — dois acervos pequenos para entender a história local, da rádio antiga à arqueologia da região.

Quem gosta de andar a pé ou pedalar tem a Senda do Sil, à beira do rio, e a subida ao Monte Pajariel, o morro que abraça a cidade e rende vista panorâmica de Ponferrada com o castelo lá embaixo. Para um respiro diferente, o Museu Nacional da Energia (La Fábrica de Luz), instalado na antiga usina elétrica a carvão, conta a história industrial e mineira do Bierzo e virou referência de turismo industrial na Espanha.

Las Médulas e o Vale do Silêncio: o melhor dos arredores

Se você só tiver tempo para um bate-volta a partir de Ponferrada, que seja Las Médulas. A cerca de 25 km da cidade, é uma paisagem surreal de picos e farpas de terra avermelhada, Patrimônio Mundial da UNESCO — o que sobrou da maior exploração de ouro a céu aberto do Império Romano. Os romanos derrubavam montanhas inteiras com a força da água (a técnica da ruina montium), e o resultado, dois mil anos depois, parece de outro planeta, ainda mais ao entardecer. O mirante de Orellán e a trilha pelas galerias escavadas na rocha são os pontos altos da visita.

Outro programa imperdível é o Vale do Silêncio (Valle del Silencio), uma sucessão de povoados de montanha onde o tempo parece ter parado. O destaque é Peñalba de Santiago, aldeia de casas de lousa e teitos de ardósia, com a igreja moçárabe de Santiago de Peñalba, do século X, uma das joias da arquitetura medieval do noroeste espanhol. No caminho ficam as ruínas do mosteiro de San Pedro de Montes e carvalhais e castanheiros que ficam dourados no outono. Para fechar a região, vale esticar até a vizinha Villafranca del Bierzo, vila de palácios e igrejas que tem sua própria Puerta del Perdón — onde, na Idade Média, os peregrinos doentes que não conseguiam seguir até Santiago podiam ganhar o jubileu.

Vinho e gastronomia do Bierzo

El Bierzo é uma das regiões vinícolas que mais cresceram em reputação na Espanha, e Ponferrada é a sua porta de entrada. A Denominação de Origem Bierzo tem como estrela a uva Mencía, que dá tintos frescos, frutados e cheios de mineralidade, além dos brancos da uva Godello. Muitas adegas (bodegas) da região recebem visitas e degustações, e a cidade tem bares de vinho onde provar uma taça de Mencía local é quase obrigatório.

Na mesa, o prato-símbolo é o botillo del Bierzo, um embutido encorpado feito de costela e rabo de porco temperados e defumados, cozido e servido com batatas e grelos — comida de inverno, forte e típica da matança. Acompanha bem os pimientos asados del Bierzo, pimentões assados doces e carnudos que são produto protegido da região. De sobremesa, prove as peras conferência e as castanhas do Bierzo, tudo regado, claro, a um bom tinto de Mencía.

Melhor época para visitar Ponferrada

A primavera (abril a junho) e o outono (setembro e outubro) são as melhores épocas. Na primavera o Bierzo floresce e o verde toma conta dos vales; no outono, os bosques de castanheiros e carvalhos de Las Médulas e do Vale do Silêncio ficam dourados e avermelhados, num espetáculo que vale a viagem por si só — e é também a época da vindima e das castanhas. O verão é quente e seco, bom para trilhas e para os dias mais longos, ainda que possa fazer calor no meio do dia. O inverno é frio, com possibilidade de neve nas serras e geada nos vales; quem não foge do frio é recompensado com o botillo na temporada certa e o castelo sem multidões. Se quiser ver a cidade no auge, as festas da Encina, em torno de 8 de setembro, enchem Ponferrada de música e procissões.

Como chegar a Ponferrada

Ponferrada não tem aeroporto próprio. O mais prático para quem vem do Brasil é voar até Madri e seguir por terra: de carro são cerca de 3 a 4 horas pela A-6, e há trens diretos da Renfe entre Madri-Chamartín e Ponferrada, além de ônibus rodoviários. Quem já está no noroeste chega fácil de León (cerca de 1h15 de carro ou trem) ou de cidades galegas como Ourense e Santiago de Compostela, cujos aeroportos, junto com o de León, são os mais próximos.

Na cidade, o centro é compacto e se percorre bem a pé — do castelo à Basílica de la Encina é tudo perto. Mas, para aproveitar o melhor de El Bierzo (Las Médulas, Peñalba de Santiago, as adegas e Villafranca), alugar um carro é a forma mais livre de explorar, já que as aldeias de montanha têm transporte público limitado. Reserve com antecedência na primavera e no outono, quando a região recebe mais visitantes, e prepare-se para estradas sinuosas e bonitas serra acima.

Vale a pena incluir Ponferrada no roteiro?

Vale, e mais do que parece. Ponferrada é a base perfeita para descobrir um canto da Espanha que reúne castelo dos Templários, uma das paisagens romanas mais impressionantes do mundo em Las Médulas, aldeias de pedra no Vale do Silêncio e um dos vinhos mais interessantes do país — um destino que recompensa quem foge do óbvio, sozinho ou como parada estratégica entre Madri, León e a Galiza.

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